quinta-feira, fevereiro 06, 2014
Da frustração
Sou convidado três vezes por ano para eventos fora da minha "zona de conforto social". A duas delas não vou, por opção. À única a que desejava ir não vou, por estar doente. Conclusão: há coisas que serão sempre como são.
sexta-feira, janeiro 24, 2014
Sobre as Praxes...
(já que toda a gente agora fala disso,
por causa do Meco)
Eu fui "Mocho Real" (o chefe da Comissão de Praxe da Esc. Sup. de Educação de Coimbra, onde me formei).
No meu mandato - se assim se pode chamar - a primeira coisa que fiz foi publicar (em livro, que qualquer um podia adquirir - o preço era simbólico) o Código da Praxe da escola (baseado no Código da Praxe da Un. de Coimbra mas devidamente adaptado à realidade da ESEC) para que NINGUÉM fosse ao engano. Participava quem queria. Quem não queria teria - e bem - a sua integração ao seu encargo. Nós promovíamos brincadeiras praxística (umas melhores, outras não tão felizes assim - como em tudo na vida) durante uma semana devidamente planeada, para que os caloiros conhecessem a escola, os alunos mais velhos dos seus cursos e dos outros, os outro caloiros, etc.
Quem exercesse actos de praxe fora dessas actividades programadas estava em violação das regras. E em casos desses aconteceram acidentes, cujas responsabilidades foram imputadas à Comissão de Praxe, mesmo não tendo esta qualquer responsabilidade em coisas que aconteciam fora das actividades programadas e até - imagine-se - em casas particulares (sim, aconteceu sermos responsabilidades por haver "doutores" que obrigavam caloiros a fazer-lhes a limpeza da casa).
Percebo a oposição às praxes. Também me oponho às praxes ofensivas, abusivas, violentas. Não terei feito tudo bem, claro. Terei até passado das marcas/regras em alguns momentos de praxe e não o deveria ter feito. Sei, inclusivamente, que há pessoas que ainda hoje não me gramam por causa das praxes. Mas ninguém ali - enquanto exerci o cargo - foi obrigado ao que quer que fosse.
As generalizações em casos sérios incomodam-me sempre. Faz parecer que o que alguns fazem mal é um todo em que todos fazem mal. E, quando há ferimentos ou mortes à mistura, que todos os envolvidos em situações mais ou menos semelhantes são criminosos. Ora, eu não sou criminoso. E nem sequer estou aqui a fazer uma defesa pessoal. Simplesmente, acho que a ideia - que vejo defendida aqui e noutros lados - de que todos os praxistas deveriam ser corridos a processos ou chamados a responder criminalmente.
Há quem praxe BEM. Há quem goste de ser BEM praxado. Quem o faz MAL deve ser chamado à pedra, sim senhor. E quem MAL aceita tudo o que MAL lhe impõem, tem também parte da responsabilidade, porque é maior de idade, mesmo que por vezes isso não seja suficiente para saber destrinçar o Bem do Mal.
PS: Após longa procura, encontrei o referido Código de Praxe, que assinei em 30 de Abril de 2000. E publico aqui o prefácio que eu próprio escrevi para essa edição. Assiná-lo-ia hoje (24 de Janeiro de 2014) como nesse dia. Aliás, o texto acima comprova-o.
No meu mandato - se assim se pode chamar - a primeira coisa que fiz foi publicar (em livro, que qualquer um podia adquirir - o preço era simbólico) o Código da Praxe da escola (baseado no Código da Praxe da Un. de Coimbra mas devidamente adaptado à realidade da ESEC) para que NINGUÉM fosse ao engano. Participava quem queria. Quem não queria teria - e bem - a sua integração ao seu encargo. Nós promovíamos brincadeiras praxística (umas melhores, outras não tão felizes assim - como em tudo na vida) durante uma semana devidamente planeada, para que os caloiros conhecessem a escola, os alunos mais velhos dos seus cursos e dos outros, os outro caloiros, etc.
Quem exercesse actos de praxe fora dessas actividades programadas estava em violação das regras. E em casos desses aconteceram acidentes, cujas responsabilidades foram imputadas à Comissão de Praxe, mesmo não tendo esta qualquer responsabilidade em coisas que aconteciam fora das actividades programadas e até - imagine-se - em casas particulares (sim, aconteceu sermos responsabilidades por haver "doutores" que obrigavam caloiros a fazer-lhes a limpeza da casa).
Percebo a oposição às praxes. Também me oponho às praxes ofensivas, abusivas, violentas. Não terei feito tudo bem, claro. Terei até passado das marcas/regras em alguns momentos de praxe e não o deveria ter feito. Sei, inclusivamente, que há pessoas que ainda hoje não me gramam por causa das praxes. Mas ninguém ali - enquanto exerci o cargo - foi obrigado ao que quer que fosse.
As generalizações em casos sérios incomodam-me sempre. Faz parecer que o que alguns fazem mal é um todo em que todos fazem mal. E, quando há ferimentos ou mortes à mistura, que todos os envolvidos em situações mais ou menos semelhantes são criminosos. Ora, eu não sou criminoso. E nem sequer estou aqui a fazer uma defesa pessoal. Simplesmente, acho que a ideia - que vejo defendida aqui e noutros lados - de que todos os praxistas deveriam ser corridos a processos ou chamados a responder criminalmente.
Há quem praxe BEM. Há quem goste de ser BEM praxado. Quem o faz MAL deve ser chamado à pedra, sim senhor. E quem MAL aceita tudo o que MAL lhe impõem, tem também parte da responsabilidade, porque é maior de idade, mesmo que por vezes isso não seja suficiente para saber destrinçar o Bem do Mal.
= = = =
PS: Após longa procura, encontrei o referido Código de Praxe, que assinei em 30 de Abril de 2000. E publico aqui o prefácio que eu próprio escrevi para essa edição. Assiná-lo-ia hoje (24 de Janeiro de 2014) como nesse dia. Aliás, o texto acima comprova-o.
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quarta-feira, janeiro 22, 2014
Para memória futura...
Haverá um dia perfeito para (re)começar a viver
ou qualquer um é bom?
Tentei que fosse este. O tempo dirá se este foi mesmo o dia perfeito para o ter feito.
segunda-feira, janeiro 20, 2014
Boas notícias! Há esperança para a Humanidade!
As janelas de minha casa estão viradas para uma escola. Do 9º andar, vemos todo o campo de jogos, onde os miúdos fazem Educação Física. Esta manhã, reparámos que um dos miúdos da turma que fazia a aula, o único em cadeira de rodas, participava em todas as actividades, ora empurrado por um(a) colega na corrida de aquecimento, ora ajudando o professor (a distribuir bolas para o andebol, por exemplo). Ainda há esperança para a Humanidade. É a melhor notícia que se pode ter a uma segunda-feira de manhã.
segunda-feira, novembro 18, 2013
Problemas de escuta
Todos os dias penso um bocadinho nisto mas nunca o tinha posto por escrito. Um dos grandes problemas da política nacional está na escuta. Sim. A Direita fala a e a Esquerda não quer ouvir. A Esquerda fala e a restante Esquerda não quer ouvir e quando essa restante Esquerda também fala... também a tal outra Esquerda não quer ouvir. Toda a gente, de todos os quadrantes, fala e a Direita não quer ouvir ninguém. Parece-me que boa parte do problema é isto.
ilustração: Igor Lukyanov
sábado, novembro 16, 2013
A Política e eu: 'status' da relação. "É... complicado"
Duas coisas (de que já desconfiava) mas que percebi nos últimos tempos.
1) Os partidos políticos (os actuais e os - aparentemente - futuros) pouco ou nada têm para me oferecer; têm na sua génese bons ideais mas péssimas narrativas de/para se apresentarem ao público/eleitorado, o que só me dá "material" para a sátira (seja em conversa simples ou em cartoons que faça, por exemplo).
2) Nunca serei convidado a integrar um partido político (actual ou - aparentemente - futuro) porque quem neles ou à volta deles gravita até gosta que se satirize os outros partidos mas percebe que mais cedo ou mais tarde este que agora escreve vai satirizar também o seu, e isso é-lhes aborrecido. Ainda bem, digo eu, que não estou a pensar formar um partido ou fazer parte de um. Mas isto, na política, pode sempre mudar, claro. Como os políticos (actuais e - aparentemente - futuros), que estão na política ou que - aparentemente - vão estar.
1) Os partidos políticos (os actuais e os - aparentemente - futuros) pouco ou nada têm para me oferecer; têm na sua génese bons ideais mas péssimas narrativas de/para se apresentarem ao público/eleitorado, o que só me dá "material" para a sátira (seja em conversa simples ou em cartoons que faça, por exemplo).
2) Nunca serei convidado a integrar um partido político (actual ou - aparentemente - futuro) porque quem neles ou à volta deles gravita até gosta que se satirize os outros partidos mas percebe que mais cedo ou mais tarde este que agora escreve vai satirizar também o seu, e isso é-lhes aborrecido. Ainda bem, digo eu, que não estou a pensar formar um partido ou fazer parte de um. Mas isto, na política, pode sempre mudar, claro. Como os políticos (actuais e - aparentemente - futuros), que estão na política ou que - aparentemente - vão estar.
Imagem: pormenor.pt
quinta-feira, outubro 17, 2013
Paradoxos
Hoje, um jornalista de televisão entregou dois artigos para publicações diferentes; uma em papel e outra online. Pode parecer paradoxal mas há jornalistas de televisão que são felizes longe das câmaras de televisão, a escrever coisas para serem consumidas em mais que um minuto e meio, sem a vertigem da simplicidade e do combate ao aborrecimento/zapping imediato, mesmo sem a "bengala" de ter qualquer imagem que facilita imenso a escrever o conteúdo de uma peça e mesmo sem aquela coisa de aparecer na televisão, que é o que mais fascina grande parte dos jornalistas de televisão (e eles acham que os define como - grandes... - profissionais). Enfim... paradoxos.
The last ride
![]() |
| Foto: viewallpaperhd.com |
Fazer uma coisa pela última vez é como, por fim, pousar uma bicicleta que em tempos utilizámos todos os dias com o maior gozo do mundo, até pararmos de andar nela (por um motivo qualquer) e em que pegámos uma derradeira vez, só para ver se andar de bicicleta é como diz o ditado: nunca se esquece.
segunda-feira, setembro 30, 2013
Aquilo que nunca me disseram...
... mas que um dia precisei que me tivessem dito.
Pára. Respira.
Pára a cabeça. Não ponhas tudo em causa... por causa de um pensamento teu, por causa de algo que julgas que é "assim" mas afinal pode ser "assado", por causa de algo que tu achas que está a acontecer e pode não estar.
Pára. Deixa o mundo acontecer. Deixa-o rodar um bocadinho à velocidade e maneira dele. Não tentes empurrá-lo sozinho para o sítio ou para lado que tu achas que ele deve ir. É isso que fazes sempre.
É que quando - muito naturalmente - o mundo leva a melhor, cais por terra, culpas toda a gente, culpas-te a ti, "móis" e "remóis" e voltas a "moer". E sentes-te mal e achas a culpa não pode morrer solteira e vociferas e choras e revoltas-te contra tudo, contra todos, contra nada ou coisa nenhuma e contra ninguém em particular, excepto contra ti. Mas não paras. Nunca.
Lê um livro.
Pára. Respira. Deita-te na areia molhada da praia sem estar a pensar no que quer que seja, se fazes favor. Pega no carro, vai até à praia para te deitarares e não para pensar na vida. Vai lá porque gostas e não para fugir de alguma coisa, ou de alguém, ou dos problemas ou das tristezas. Vai lá. Tudo o resto, quando voltares, deverá estar exactamente no mesmo sítio. Se não estiver… tanto melhor!
Olha para as pessoas como sendo pessoas que tal como tu têm problemas e feitios e merdas para resolver e defeitos que nunca irás compreender ou conseguir mudar. O mundo não é perfeito. Para ninguém. E uma coisa é certa. Não é - nem nunca será, de certeza - aquilo tudo que precisas que seja. É - e será - o mundo possível.
A vida - a tua e a de toda a gente - é a vida possível. E a tua tarefa - tal como a de toda a gente - é seres o mais feliz possível, apesar de tudo, apesar dos defeitos do mundo e das pessoas. E dos teus defeitos, também, já agora. E apesar da vida ser, de facto, difícil.
Pára. Respira.
quinta-feira, setembro 26, 2013
Uma história especialmente banal
Eles estavam os dois dentro de um impressionante Mercedes. Ela, de porta fechada, estava com ar de enfado. Ele, de porta entreaberta, limpava minuciosamente com uma flanela um grão de pó junto ao vidro. Ela chamou-o para lhe dizer alguma coisa e ele não respondeu, continuando absorto mas entusiasmado na tentativa deixar os interiores do Mercedes impecáveis. Ela - via-se - estava furiosa pelo desprezo mas lá tentou o contacto mais uma vez. Ele sorria enquanto limpava. Foi tudo em coisa de 15 segundos. Não mais. Ele só deu conta de ela ter saído do carro quando a porta do outro lado bateu com força (e, zeloso, já se virava com cara de mau para dizer-lhe que aquela "não é a porta da quinta!") Tarde demais. Ela já se afastava a passo largo. Ele ainda saiu com um pé fora do Mercedes, deixando o outro a pisar o tapete do amado automóvel. "Estás maluca?! Por eu estar a limpar o carro?! Isso são ciúmes, não são?!". Ela nem respondeu, nem sequer olhou para trás. De certeza - adivinho - que era nisto que ela ia a pensar enquanto descia a rua: bonita como é, há-de ter rapidamente um namorado com um carro utilitário, barato. Um homem que tudo fará para ter sempre o automóvel impecável ANTES de a ir buscar para sair, para ela sentir que realmente é especial. Acho que foi por isso que ainda vi um sorriso bonito aparecer-lhe na cara.
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