Já o tinha sentido ontem, voltei a senti-lo esta manhã e voltei a sentir ao fim da tarde, por aqui. Há quem "apanhe a onda" na carreirinha e tente justificar que devia haver limites à liberdade de expressão na escrita (jornalística), nas artes (a banda desenhada, por exemplo) e até nas atitudes que optamos ter ou opiniões pessoais que emitimos. É curioso que estas opiniões (ditas/escritas livremente por aqui, nas redes sociais) venham sobretudo de católicos. Há que lembrar que existem limites que podem colocar-se à liberdade de expressão. Dois, até. O limite do bom senso (que depende de cada um) e o da lei judicial (que - embora dependa de país para país - determina e penaliza, por exemplo, o que é calúnia). A Lei de Deus, neste caso, não se aplica (pelo menos a quem não a queira cumprir - e aí entra o livre arbítrio e o bom senso, de que já falei). Tudo o resto são opiniões, que podem ser positivas ou negativas mas que não podem limitar a expressão do ser humano. Recordo que foi a liberdade de expressão (no caso, que não existia) que possibilitou a disseminação da Palavra de Deus. Alguém - para os cristãos, Jesus Cristo - falou diferente, de algo novo, quando todos falavam de outra coisa e não permitiam essa nova Palavra (que, aliás, tentaram aniquilar ANTES de ser proferida). Não percebo a questão da limitação da liberdade de expressão, que todos queremos ter para poder defender aquilo em que acreditamos. Questiono-me (e questiono que defende os limites à liberdade de expressão) se essa ideia aplica-se só àquilo que os outros querem expressar e que não gostamos de ouvir. Haver limites na escrita, na banda desenhada ou até nas atitudes é censura. E censura nenhum de nós defende. Acho eu.
quinta-feira, janeiro 08, 2015
sábado, novembro 15, 2014
A historia da estória que morreu antes de nascer
Cinco letras, espaço, mais duas letras, delete, delete, delete, espaço, delete, delete… até que o cursor fica de novo a piscar no canto superior do ecrã, à espera de novo comando do humano à sua frente. Aquele que esfrega as mãos pela cara, passando-as mais devagar e com mais força pela barba, como que usando os pêlos rijos como espigões de massagem para activar a circulação nas pontas dos dedos, que logo a seguir poisam em cima das teclas de novo.
Três letras, espaço, delete, delete, delete.
Duas letras, til, letra, delete, delete, delete.
É assim tão difícil começar?!…
O cabelo! Passa a mão pelo cabelo! Costuma acalmar-te! Isso! Pela testa também! Agora, vá, força!
Seis letras, espaço, duas letras, espaço, três letra, espaço - é agora! -, sete letras, delete, delete… Não! Deixa-te ir!… Delete, delete. Selecção de texto com o rato, delete. Cursor de novo a piscar, sozinho, no canto superior so ecrã, a gozar contigo, não vês? Vai beber um café e volta. Antes isso que massacrares as teclas, que não têm culpa do que te está a acontecer. O cursor não vai parar de piscar e cá estará à tua espera, podes ter certeza. Ninguém vai a lado algum, a não ser tu, que vais beber um café. Até já!
Então, pronto? Recomposto? Vamos a isso!
Duas letras, reticências…
Esquece. Não vai acontecer. A história que contaste ontem era fantástica. A que vais escrever amanhã se calhar também será. A de hoje não aconteceu. Faz parte, dizem.
Agora vai lá fora. Não te esqueças de levar um bloco de notas e uma caneta. Olha para as pessoas, para as caras, para as nuvens, sente o cheiro do ar e da terra, inspira, expira e inspira-te de novo.
Mas antes dá-me descanso, por favor. Tal como tu, já estou farto deste cursor a piscar.
Close window, don’t save, close program, shut down. Enter.
quinta-feira, setembro 04, 2014
Da (falta de) humildade*
«Ao contrário de uma Meryl Streep, tem a sorte de poder percorrer 300km e ir até Badajoz, onde já ninguém a conhece.»
[in Lux]
Tão bom. Tão certo. Tão abrangente. Tão aplicável a tanta gente.
- - -
* ou, "A verdade também se escreve com letras em tom de cor-de-rosa"
terça-feira, junho 24, 2014
Cheira bem...
Está sol, céu azul e as nuvens ajudam a compor a pintura ideal de um dia de verão, em que outras cores são dadas por bandeiras de Portugal e das festas que já foram. Cheira a sardinha pela rua. E cheira bem. A calçada escorrega de tão gasta - eu que o diga. Ouvem-se vários idiomas diferentes na mesma rua, e em várias ruas diferentes. Numa esquina, um rabanada de vento atira caixas de papelão para cima dos pés de um turista de mochila, perante o olhar impávido de um tipo à porta de uma tasca que mostra estar ali como está em casa, mais copo menos copo de vinho tinto. O turista sorri perante o acaso do seu azar, de passar na hora errada, pela esquina certa, no momento da rabanada de vento certeira que atirou as caixas para os pés errados. Pega nelas, arruma-as no monte de caixas de onde saltaram, sempre com um sorriso na boca, a mesma de onde sai um sonoro "Merci!" dirigido ao tipo da tasca, que não ajudou. Distraio-me com a cena enquanto caminho. Escorrego (outra vez) na calçada. Cheira a sardinha pela rua. E cheira bem. Cheira a Lisboa.
terça-feira, junho 10, 2014
State of Mind
I'm not a good unhappy. And i'm not a very good tired either. In fact, I suck at them both, really bad. The thing is... if I liked being tired, I would do long extra hours at work everyday, and smile when I could no longer think, write, walk or even move my arms, in pain. And if I liked being unhappy... well... i would be really stupid, wouldn't I?, and keep smiling of joy just because I wanted to cry so hard.
So... I'm not a good tired nor I am a good unhappy. It sucks to suck at them both. Really. Life would be so much easier if I didn't...
quinta-feira, junho 05, 2014
terça-feira, maio 20, 2014
Jornalismo 1.0
Hoje, a manhã foi diferente de todas as outras. Passei-a no infantário da minha filha, numa espécie de "Career Day", em que expliquei (como outros pais dos miúdos da sala dela já fizeram) o que é o meu emprego.
Pude juntar estar com miudagem maravilhosa e poder "ensinar" alguma coisa a alguém (sempre me deu gozo fazer workshops e/ou minipalestras) sobre algo que realmente amo: a comunicação e o jornalismo. Por isso, a manhã passou-se, naturalmente, bem, com muita alegria e pouco profissionalismo a fingir que se estava a exercer... uma profissão; a minha, ser jornalista.
Mas fazê-lo no momento em que menos enamorado me sinto por tudo o que envolve o meu ofício... confesso... custou, custa. Não sei se me custará mais, ainda. A ver vamos.
Acima de tudo, foi bom poder saber e dar notícias que realmente interessam ao público a que as notícias (aquelas notícias) se destinam.
O Rodrigo tem hoje menos um dente do que ontem (caiu ontem à tarde) e a Fada dos Dentes deixou-lhe doces e uma moeda que ele guardou no mealheiro. O David caiu, magoou-se no joelho mas já não dói (boas notícias, portanto). E a Iara foi fazer análises esta manhã e tem um penso rápido no braço, que dói um bocadinho mas ela já sabe que vai passar e que as análises não são coisa má mas sim para prevenir doenças e afins. Neste caso, ao dar a notícia das análises, a Iara recebeu esta (do objectivo da prevenção) em troca. E assim, a brincar, se fez jornalismo a sério, porque o público queria (e exigia) saber o que de novo se passava no seu mundo.
Quão mais simples seria aquilo que eu faço se fosse só isso: reportar o que realmente interessa a quem quer saber o que realmente se passa no (seu) mundo...
Shelf'ie
Encontrei esta imagem por aí na net. Gostei tanto dela que se calhar vou adoptá-la e carinhosamente dar-lhe o fofinho nome de "Gestão de activos segundo as suas capacidades tendo sempre presente como objectivo único o bem maior da empresa e não necessariamente as expectativas pessoais do elementos geridos, que são consideradas apenas em alguns casos, de forma mais ou menos arbitrária". Nota-se muito que gosto de nomes simples?
quarta-feira, abril 16, 2014
Uma discussão silenciosamente ruidosa
Ponto prévio: Confesso que gosto de ver pessoas a conversar em Língua Gestual.
imagem: sharkreef.org
Umas mesas à minha frente no centro comercial um casal conversa com visível intensidade, em Língua Gestual. Não se ouve um som sequer mas ambos gesticulam freneticamente e as expressões faciais que fazem são graves. Pelo meio da discussão, ela aponta frequentemente para uma garrafa de água, que está num pequeno tabuleiro, em cima da mesa. Ele parece sofrer com cada palavra que ela lhe dirige, cada gesto que lhe faz, cada expressão facial que lhe mostra. E parece defender-se com argumentos, gestos, expressões igualmente intensos e graves. Ajudava-me perceber alguma coisa de Língua Gestual (tenho de aprender) para compreender o que realmente se passa ali, muito embora reconheça que isso seria uma invasão da privacidade do casal. Aquilo que me parece ser uma forte discussão continua. Por fim, ele parece conceder. E ela sorri. Eles beijam-se longamente e o abraço que se segue é maravilhoso, só de ver. Ele levanta-se, sai da mesa e volta com uma nova garrafa de água, que está baça e por aí se vê que é de água bem gelada. Ela retribui oferecendo-lhe um sorriso rasgado, do tamanho do mundo. Conversam um pouco mais, agora já em perfeita harmonia, com sorrisos, gestos mais calmos e muita ternura, perfeitamente visível. Continua sem se ouvir um som sequer. Não percebo nada de Língua Gestual mas presumo que ali tenha acontecido o que sempre acontece. Até mesmo numa discussão banal - como qual a temperatura ideal de uma garrafa de água - a harmonia do casal atinge-se quando ele concede e ela consegue exactamente o que quer.
sábado, março 08, 2014
Daquilo que preenche
Em 24 horas fazer 600 km de estrada, deitar tarde para estudar, passar 4 horas em testes e ensaios e,
por fim, arriscar atirar-me sem rede para algo que nunca tinha experimentado fazer. Chegar a casa e ter a sensação do dever cumprido... Não há nada igual.
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